CowParade de Madrid: mesmo padrão seguido por brasileiros.
Conhecida por ser uma das maiores manifestações da arte contemporânea, a CowParade é uma exposição que circula pelas principais cidades do globo. As esculturas das vacas são feitas de fibras de vidro, e decoradas por artistas locais. Após a produção, elas são distribuídas em pontos de grande movimentação, como parques, avenidas e centros comerciais. Por fim, as vacas são leiloadas, e o dinheiro arrecado é entregue a instituições de caridade.
Obviamente não se trata de um projeto ruim: alcança proporções internacionais e, supostamente, não apresenta fins comerciais. Porém, até as melhores intenções acabam por ter suas parcelas negativas. No caso da CowParade, sua desvantagem nem foi intencional. O fato foi que as exposições ganharam tanto prestígio que pouco sobrou para outras manifestações, especialmente as de países em desenvolvimento, que cismam em supervalorizar a cultura europeia. Em 2010, o Brasil dá pouso às vaquinhas pela terceira vez, agora em Porto Alegre (RS), e a fantasia de um país artisticamente interessado é restaurada, e instaura de forma ainda mais evidente: o alarde de turistas e moradores com seus registros mil com as estátuas; os comentários sobre cor de uma, mancha de outra, e um diz-que-me-disse sem fim sobre os destinos dessas obras, já tão queridas por todos.
Por que não, então, os brasileiros não conseguem demostrar nem um pingo de curiosidade por talentos que surgem daqui? E, sim, os artistas idealizadores dessa edição são naturais daqui, mas estão condenados a estilos pré-moldados. E não se trata de que esses tais moldes sejam de extrema qualidade, nem a belíssima mostra de Realismo Francês no MARGS, em 2009, ganhou tantos fãs.
O ANTA (Arte Nacional Também é Arte) foi criado não para denigrir a CowParade, mas sim para dar início à conscientização de um país à arte que não tem passaporte, mas também tem muito a acrescentar ao imaginário e à cultura de cada um.

Quem sabe com maior apoio do governo e divulgação pela mídia, poderemos ver o povo brasileiro se interessando mais pela cultura tupiniquim?!
ResponderExcluirCobrem da Dilma!
Bom texto. :D
Acho que o problema não é o povo não se interessando por cultura brasileira e sim o povo não se interessando por cultura.
ResponderExcluirQuando existe um grupo de pessoas interessadas em artes e outras formas de expressão contemporânea, elas buscam indiferente da onde seja sua fonte. Se fosse assim jamais dariamos valores ao Caringi, Niemeyer, profeta Gentileza, etc.
Ao meu ver é a falta de interesse de acrescentar esse tipo de conhecimento. Porque cultura muitas vezes é vista como uma coisa boba, algo que é apenas pra quem é idiota. Apenas os "cabeções" acompanham a cultura. Mas isso é um perfil do brasileiro. Um povo que sequer consegue ler mais de três livros durante o ano, enquanto outros países no mínimo cada pessoa lê em média 14 a 16 livros por semestre.
É a falta de interesse em cultura em geral. Não apenas na cultura brasileira.