domingo, 28 de novembro de 2010

COTIDIANO - casa de cultura Mario Quintana

Vivemos cada dia com mais pressa, menos tempo e mais tarefas. Muitas vezes não sabemos ver o nosso entorno, ou o que nele fazemos, vivemos e representamos. 
Cotidiano "revela um saber ver" destas cinco artistas, que apartir  de uma atenção ao seu particular cotidiano o utilizam como prática artística.
Apropriações de materiais, reflexões sobre o passar do tempo e ações banais, retratos de detalhes, talvez, ordinários. Estes são alguns focos que podem ser percebidos através das distintas visões  poéticas que a exposição cotidiano trás à tona. Universo singular mas também plural. Pequenos grandes relatos.

Período: de 18 de novembro a 19 de dezembro
Horário: terças a sextas das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 21h
Local: Galeria Augusto Meyer - 3° andar
Entrada franca

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Convivências - fundação Iberê Camargo

Pessoal!
Capas de cetim voadoras, máquinas perfuradoras, cogumelos atômicos, canetas a laser.
Essas são algumas das definições de Gustavo Brigatti sobre a nova mostra da Fundação Iberê Camargo - 10 anos de Bolsa Iberê  Camargo - matéria que saiu ontem no Segundo Caderno da ZH. A exposição conta com trabalhos de 14 artistas brasileiros, e permanece exposta na Padre Cacique até fevereiro de 2011. Vamos lá conferir, vem também?

ah sim, a entrada é franca!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mais brasileiro impossível


Saiu do Brasil para fazer sucesso lá fora com sua autenticidade "abrasileirada".
As cores são marcantes, as montagens e a concepção  artistica é puramente nacional e é de sucesso absoluto nos Estados Unidos.


"Nascido no Recife, Pernambuco, em 06 de outubro de 1963, no Brasil, aos oito anos começou a mostrar interesse e talento pelas artes. Com muita imaginação e criatividade, pintava em sucatas, papelão e jornal. Sua família o ajudava a desenvolver seu talento natural, dando-lhe livros de arte para estudar. “Eu ficava sentado e copiava Tolouse e outros mestres dos livros, por dias e dias.“
(...) Freqüentou escolas públicas, recebeu bolsa de estudos para uma escola preparatória e aos 17 anos entrou para a Universidade Católica de Pernambuco, no curso de Direito. Viajou para a Europa para visitar lugares novos e ver a arte que só conhecia nos livros. Durante um ano pintou e exibiu seus trabalhos em vários países como Espanha, Inglaterra, Alemanha e outros. Quando retornou ao Brasil, seu desejo de ter contato com o mundo ficou ainda mais forte, queria continuar a viajar e mostrar sua arte. Com isso, desistiu do curso de Direito e decidiu ir visitar um amigo de infância, Leonardo Conte, que estava estudando inglês em Miami, nos Estados Unidos.
Lá se deu conta que tinha muita empatia com o ritmo acelerado do “american way of life“. A diversa paisagem cultural e a beleza tropical o fizeram lembrar do Brasil. Fez de Miami, então, sua residência permanente."


Um trecho da história de Romero, que está disponível em seu site http://www.britto.com.br/.

Romero Britto é é mais uma prova de que Arte Nacional Também é Arte!

Vale a pena conferir!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Colorindo Porto Alegre

Pra quem só compra roupa de fora tá na hora de conhecer uma grife aqui da cidade. Teve início em janeiro de 1995, no bairro Morro da Cruz, em Porto Alegre, a Grife Morro da Cruz. Sua iniciativa foi gerar renda para a comunidade, diminuindo o desemprego de mulheres do bairro.



A senhora Djanira possuía máquinas de costura, espaço em sua casa e vontade de ensinar. Mas com o tempo o lugar foi ficando pequeno e a necessidade de uma nova instalação apareceu. Foi em 1997 que se mudaram para uma sala cedida pela Igreja, onde estão as instalações até hoje. São várias máquinas, controladas por várias mulheres costurando, em meio a outras fuxicando, embalando e construindo novos modelos. Essas mulheres participam ainda de palestrar e oficinas, além de estar sempre atentas aos jornais e revistas.
Djanira é a única mulher presente desde o início do projeto.

Retalhos de tecidos não mais aproveitados logo, logo viram roupas femininas e bolsas coloridíssimas e cheias de vida. O bonito é que, além do lucro no final do mês, convertido em renda para a própria costura, todas essas mulheres se ocupam durante o dia.
A organização trabalha também com confecção de bolsas para eventos, como o Fórum Social Mundial. Nesses casos, elas trabalham em conjunto com outras ONGs.

O projeto sem ajuda governamental chega a produzir 500 peças mensais, o que só tende a aumentar. As senhoras advertem ainda que quanto mais doações, melhor. Toda forma de colaboração é bem-vinda. Lá são oito costureiras que ganham cerca de um a dois salários mínimos por mês.

No ano de 2002, a grife ganhou destaque em toda a América Latina. Após participar do concurso da “Rede Mulher” e se sair vencedora no Brasil, sua história terminou retratada no livro “III Concurso Latino-Americano Así se Hace – 8 empreendimentos exitosos liderados por mujeres”.



As peças da grife Morro da Cruz podem ser adquiridas na Loja Porto Alegre Solidária, que fica no 2º andar do Mercado Público e também na Loja Etiqueta Popular, no Mercado do Bom Fim, ali na Praça Redenção.
O telefone de contato das costureiras é (51) 3318-2875

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Escape da tela, ocupe seu espaço (público)


Linguagens que surgem do cruzamento entre vertentes das artes plásticas, do vídeo e do cinema – todas elas tem uma característica comum: escapar da tela em direção ao espaço público.

Na edição de Porto Alegre do Vivo arte.mov 2010, são discutidas práticas que extrapolam janelas circunscritas (perspectiva, monitores, salas de cinema) e se deslocam para espaços (intervenções urbanas, presença efêmera no espaço urbano, cinema expandido).
Ao invés da sala escura e contemplativa, os trabalhos em dispositivos portáteis podem ser expostos em lugares claros, ruidosos, entrópicos.
No lugar do ritual de concentração e da sensação de isolamento, uma divisão da atenção entre a tela e o entorno.

O festival dialoga em Porto Alegre com as particularidades do cenário local, sugerindo uma conexão entre vídeo, cinema e artes móveis nos trabalhos de artistas locais e convidados.


Debates, workshops e mostras oferecem a melhor parte da arte: o questionamento.


Soluções prontas,
NÃO.


É a ocupação do espaço urbano como uma pergunta a ser respondida.

A rua não é só para passagem, ocupa esse espaço que é teu.


E você, o que tem a ver com isso?  


O festival acontece na Usina do Gasômetro, localizada nas proximidades do Lago Guaíba, com intervenções nos jardins do DMAE. Dentro dos projetos ligados ao festival, a Usina do Gasômetro será mapeada por três artistas, através de uma apresentação audiovisual, editada em tempo real, com projeção de elementos sobre a arquitetura e elementos tridimensionais no espaço público.

Programação:Clique aqui

Levanta (pra deter a) Favela

ISSO é o tipo de coisa que até o Laçador encheria a boca pra falar: mas que barbaridade!
Policiais detiveram apresentação do Levanta Favela, bem em frente à Esquina Democrática – curiosa ironia. Mesmo com o alerta de um dos artistas, a barbárie afetou até menores, que colaboravam com o grupo. O Levanta Favela é uma manifestação que tem o teatro popular como luta de igualdade social, e que existe desde 2008 se apresentando gratuitamente – os policiais não podem nem usar a desculpa de que estavam mendigando.
Parafraseando funkeiros: é arte de preto, de favelado. É arte.





Assim, só me resta acreditar que não se tem mais nada para a polícia fazer nessa cidade. E, agora, usando as palavras de um sábio amigo: NÃO TÊM O QUE FAZER? VENHAM AQUI ME PRENDER POR DESACATO, SEUS CAGALHÕES!

Para quem quer conhecer o trabalho do Levanta Favela, dá uma procurada no Youtube, ou caminhe pelas ruas do centro e cruze os dedos, se ainda lhes restar essa liberdade.

E eis que surge o Eduardo Scur dos Pampas




Maikel Rosa aproveitou o feriado do dia dos mortos para preservar a vida – ou algo que o valha. Das 4h às 15h30min espalhou placas com os dizeres “GO VEGETARIAN!” em todas as vaquinhas da Cow Parade de Porto Alegre. Detalhe: o guri nem é vegetariano.

Arte primária

Acho que esse post pode resumir direitinho os preceitos do ANTA.

Se Porto Alegre tem um colégio tradicional, intocável e mimimi, esse é o Marista Rosário, localizado na Avenida Independência. Fundado por Padres, com uma mensalidade da-que-las e com ensino religioso até o 3º ano do Ensino Médio.
Porém, uma ação mais "contemporânea" conseguir invadir a membrana insolúvel do Colégio. As crianças do Jardim de Infância, que pintavam casinhas e borboletinhas por anos a fio, agora desenvolvem também seus projetos de Cow Parade - detalhe: elas não estão mais pintando "vaquinhas", elas estão sonhando com a Cow Parade. E isso é explicado pela "tia" ou pela "sôra", que mostra as origens, funções e aspirações da tal arte. Depois de muito entusiasmo, giz de cera e uma reprodução do símbolo da Mumu, patrocinador da Cow Parade no Brasil, a obra é criada e exposta nos corredores.

Quem fez a vaca mais colorida? Quem chegou mais perto de ser o próximo artista mirim da província? Isso só os coleguinhas, outros professores e passantes poderão dizer. E isso gera ansiedade e mais e mais curiosidade sobre a "arte" que tentaram reproduzir. É errado? Não.
Palmas pras tias que colocaram uma coisa real e concreta no eu-artístico das crianças. Vaias pras mesmas tias que só se prestaram a fazer isso agora, quando um evento mais granfino e com sotaque forte chegou à cidade meio pobrinha.

                                                                     Tias da turma 21 e outras mil: nacionalizem-se.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Hoje, quarta-feira, na volta do feriado, um grupo de artistas une-se em prol de duas OCUPAÇÕESde PORTA-RETRATOS, objetos obsolescentes depois das fotografias irem para o mundo virtual, e de um espaço na cidade que, com a coleção de trabalhos formada, pretendem ajudar a transformar em um LOCAL PERMANENTE DE EXPOSIÇÃO DE ARTE.

Não deixem de conferir!



Domesticando (e amando) a arte

Eduardo Scur, artista plástico paulista, encontrou um meio bem amoroso de expor sua crítica à CowParade. Quando a tal arte chegou à sua cidade, Eduardo resolveu dar um "toque final" às vaquinhas, confeccionando um boi, em tamanho real, e colocando-o em posição de coito. Quem pôde passar pelas Avenidas Paulista e Faria Lima durante o período, se deparou com toda a viralidade desse touro bandido.
"O touro bandido remete ao imaginário brasileiro, essas vacas são importandas", explica. "É a segunda vez que rola o Cow Parade no país, e já é um evento esgotado. A arte não é tão domesticável quanto essas vacas", completa.

E cabe a questão: cadê o nosso Eduardo Scur gaudério?

Grafiteiros, artistas e decapitadores.


Se tudo ia conforme o roteiro, a exposição de Estocolmo foi mais turbulenta que o esperado. A organização sueca The Militant Graffiti Artists of Stockholm, sequestrou e decapitou uma das vacas, protestando contra a chamada “arte publicitária”. O roubo foi anunciado e justificado em vídeo entregue à mídia nacional, com o anúncio:
            “Nós, membros da Militant Graffiti Artists of Stockholm, nos sentimos moralmente obrigados a proteger nossa cidade das vacas que invadiram as ruas. As vacas NÃO são arte. Apresentá-las como arte urbana é a maior fraude: anúncios nunca serão arte.
            A liberdade de expressão não pertence à uma pessoa, mas sim àqueles que têm dinheiro para comprar um outdoor ou, nesse caso, uma vaca que tem a mesmíssima função. Nós acreditamos que a liberdade de expressão esteja ameaçada. Essa liberdade é um direito de todo cidadão.
            Nós exigimos que essas vacas sejam declaradas como Não-Arte e que todas as vacas, antes do meio dia de 23 de agosto, deixem nossas ruas livres. Nós também exigimos paredes destinadas à arte própria de Estocolmo. Se nossas exigências não forem cumpridas, a refém será decapitada. A justiça do vandalismo e da arte serão conciliadas.”

Como previsto, os pedidos dos Militant Graffiti Artits foram ignorados.

Status atual da obra acima: decapitada.

Imootators

Não se pode negar: a CowParade é uma intervenção que dá certo. Tão certo que filas são formadas para tirar fotos junto às vaquinhas, que depois são leiloadas e que inspiram outras criações. Mas, quais são as reais proporções que esse projeto pode alcançar?
O Site Moochandise extrapola, apontando qualquer objeto como derivado da CowParade. Nem pijamas infantis e pantufas com vacas tradicionais se safam – os chamados “I-moo-tators da CowParade Idea” incluem até aqueles tapetes de couro. Check out: