Maikel Rosa aproveitou o feriado do dia dos mortos para preservar a vida – ou algo que o valha. Das 4h às 15h30min espalhou placas com os dizeres “GO VEGETARIAN!” em todas as vaquinhas da Cow Parade de Porto Alegre. Detalhe: o guri nem é vegetariano.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Arte primária
Acho que esse post pode resumir direitinho os preceitos do ANTA.
Se Porto Alegre tem um colégio tradicional, intocável e mimimi, esse é o Marista Rosário, localizado na Avenida Independência. Fundado por Padres, com uma mensalidade da-que-las e com ensino religioso até o 3º ano do Ensino Médio.
Porém, uma ação mais "contemporânea" conseguir invadir a membrana insolúvel do Colégio. As crianças do Jardim de Infância, que pintavam casinhas e borboletinhas por anos a fio, agora desenvolvem também seus projetos de Cow Parade - detalhe: elas não estão mais pintando "vaquinhas", elas estão sonhando com a Cow Parade. E isso é explicado pela "tia" ou pela "sôra", que mostra as origens, funções e aspirações da tal arte. Depois de muito entusiasmo, giz de cera e uma reprodução do símbolo da Mumu, patrocinador da Cow Parade no Brasil, a obra é criada e exposta nos corredores.
Quem fez a vaca mais colorida? Quem chegou mais perto de ser o próximo artista mirim da província? Isso só os coleguinhas, outros professores e passantes poderão dizer. E isso gera ansiedade e mais e mais curiosidade sobre a "arte" que tentaram reproduzir. É errado? Não.
Palmas pras tias que colocaram uma coisa real e concreta no eu-artístico das crianças. Vaias pras mesmas tias que só se prestaram a fazer isso agora, quando um evento mais granfino e com sotaque forte chegou à cidade meio pobrinha.
Tias da turma 21 e outras mil: nacionalizem-se.
Se Porto Alegre tem um colégio tradicional, intocável e mimimi, esse é o Marista Rosário, localizado na Avenida Independência. Fundado por Padres, com uma mensalidade da-que-las e com ensino religioso até o 3º ano do Ensino Médio.
Porém, uma ação mais "contemporânea" conseguir invadir a membrana insolúvel do Colégio. As crianças do Jardim de Infância, que pintavam casinhas e borboletinhas por anos a fio, agora desenvolvem também seus projetos de Cow Parade - detalhe: elas não estão mais pintando "vaquinhas", elas estão sonhando com a Cow Parade. E isso é explicado pela "tia" ou pela "sôra", que mostra as origens, funções e aspirações da tal arte. Depois de muito entusiasmo, giz de cera e uma reprodução do símbolo da Mumu, patrocinador da Cow Parade no Brasil, a obra é criada e exposta nos corredores.
Quem fez a vaca mais colorida? Quem chegou mais perto de ser o próximo artista mirim da província? Isso só os coleguinhas, outros professores e passantes poderão dizer. E isso gera ansiedade e mais e mais curiosidade sobre a "arte" que tentaram reproduzir. É errado? Não.
Palmas pras tias que colocaram uma coisa real e concreta no eu-artístico das crianças. Vaias pras mesmas tias que só se prestaram a fazer isso agora, quando um evento mais granfino e com sotaque forte chegou à cidade meio pobrinha.
Tias da turma 21 e outras mil: nacionalizem-se.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Hoje, quarta-feira, na volta do feriado, um grupo de artistas une-se em prol de duas OCUPAÇÕES: de PORTA-RETRATOS, objetos obsolescentes depois das fotografias irem para o mundo virtual, e de um espaço na cidade que, com a coleção de trabalhos formada, pretendem ajudar a transformar em um LOCAL PERMANENTE DE EXPOSIÇÃO DE ARTE.
Domesticando (e amando) a arte
Eduardo Scur, artista plástico paulista, encontrou um meio bem amoroso de expor sua crítica à CowParade. Quando a tal arte chegou à sua cidade, Eduardo resolveu dar um "toque final" às vaquinhas, confeccionando um boi, em tamanho real, e colocando-o em posição de coito. Quem pôde passar pelas Avenidas Paulista e Faria Lima durante o período, se deparou com toda a viralidade desse touro bandido.
"O touro bandido remete ao imaginário brasileiro, essas vacas são importandas", explica. "É a segunda vez que rola o Cow Parade no país, e já é um evento esgotado. A arte não é tão domesticável quanto essas vacas", completa.
E cabe a questão: cadê o nosso Eduardo Scur gaudério?
"O touro bandido remete ao imaginário brasileiro, essas vacas são importandas", explica. "É a segunda vez que rola o Cow Parade no país, e já é um evento esgotado. A arte não é tão domesticável quanto essas vacas", completa.
E cabe a questão: cadê o nosso Eduardo Scur gaudério?
Grafiteiros, artistas e decapitadores.
Se tudo ia conforme o roteiro, a exposição de Estocolmo foi mais turbulenta que o esperado. A organização sueca The Militant Graffiti Artists of Stockholm, sequestrou e decapitou uma das vacas, protestando contra a chamada “arte publicitária”. O roubo foi anunciado e justificado em vídeo entregue à mídia nacional, com o anúncio:
“Nós, membros da Militant Graffiti Artists of Stockholm, nos sentimos moralmente obrigados a proteger nossa cidade das vacas que invadiram as ruas. As vacas NÃO são arte. Apresentá-las como arte urbana é a maior fraude: anúncios nunca serão arte.
A liberdade de expressão não pertence à uma pessoa, mas sim àqueles que têm dinheiro para comprar um outdoor ou, nesse caso, uma vaca que tem a mesmíssima função. Nós acreditamos que a liberdade de expressão esteja ameaçada. Essa liberdade é um direito de todo cidadão.
Nós exigimos que essas vacas sejam declaradas como Não-Arte e que todas as vacas, antes do meio dia de 23 de agosto, deixem nossas ruas livres. Nós também exigimos paredes destinadas à arte própria de Estocolmo. Se nossas exigências não forem cumpridas, a refém será decapitada. A justiça do vandalismo e da arte serão conciliadas.”
Como previsto, os pedidos dos Militant Graffiti Artits foram ignorados.
Status atual da obra acima: decapitada.
Imootators
Não se pode negar: a CowParade é uma intervenção que dá certo. Tão certo que filas são formadas para tirar fotos junto às vaquinhas, que depois são leiloadas e que inspiram outras criações. Mas, quais são as reais proporções que esse projeto pode alcançar?
O Site Moochandise extrapola, apontando qualquer objeto como derivado da CowParade. Nem pijamas infantis e pantufas com vacas tradicionais se safam – os chamados “I-moo-tators da CowParade Idea” incluem até aqueles tapetes de couro. Check out:
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
As vaquinhas comendo o pasto nacional.
CowParade de Madrid: mesmo padrão seguido por brasileiros.
Conhecida por ser uma das maiores manifestações da arte contemporânea, a CowParade é uma exposição que circula pelas principais cidades do globo. As esculturas das vacas são feitas de fibras de vidro, e decoradas por artistas locais. Após a produção, elas são distribuídas em pontos de grande movimentação, como parques, avenidas e centros comerciais. Por fim, as vacas são leiloadas, e o dinheiro arrecado é entregue a instituições de caridade.
Obviamente não se trata de um projeto ruim: alcança proporções internacionais e, supostamente, não apresenta fins comerciais. Porém, até as melhores intenções acabam por ter suas parcelas negativas. No caso da CowParade, sua desvantagem nem foi intencional. O fato foi que as exposições ganharam tanto prestígio que pouco sobrou para outras manifestações, especialmente as de países em desenvolvimento, que cismam em supervalorizar a cultura europeia. Em 2010, o Brasil dá pouso às vaquinhas pela terceira vez, agora em Porto Alegre (RS), e a fantasia de um país artisticamente interessado é restaurada, e instaura de forma ainda mais evidente: o alarde de turistas e moradores com seus registros mil com as estátuas; os comentários sobre cor de uma, mancha de outra, e um diz-que-me-disse sem fim sobre os destinos dessas obras, já tão queridas por todos.
Por que não, então, os brasileiros não conseguem demostrar nem um pingo de curiosidade por talentos que surgem daqui? E, sim, os artistas idealizadores dessa edição são naturais daqui, mas estão condenados a estilos pré-moldados. E não se trata de que esses tais moldes sejam de extrema qualidade, nem a belíssima mostra de Realismo Francês no MARGS, em 2009, ganhou tantos fãs.
O ANTA (Arte Nacional Também é Arte) foi criado não para denigrir a CowParade, mas sim para dar início à conscientização de um país à arte que não tem passaporte, mas também tem muito a acrescentar ao imaginário e à cultura de cada um.
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